Fio esquentando é sinal de que passa mais corrente do que ele aguenta ou de que há uma conexão ruim, e as causas mais comuns são bitola fina, emenda malfeita, borne frouxo e sobrecarga de benjamim ou extensão. Se o fio solta cheiro de queimado, muda de cor ou fica com a capa mole, desligue o disjuntor do circuito na hora.

Reconhecer a causa ajuda a decidir entre esperar o eletricista ou desligar já. Qualquer reparo em fio, tomada ou disjuntor exige o circuito desligado e é serviço de profissional. Em rede de 127 ou 220 V, o calor excessivo num condutor é o caminho mais curto para um incêndio.

O que fazer agora, antes de investigar a causa

  1. Desligue os aparelhos do circuito, se der para fazer isso sem encostar no fio ou na tomada que estão quentes.
  2. Desarme o disjuntor do circuito. Se não souber qual é, desligue o geral.
  3. Se há cheiro de queimado, fumaça ou faísca, saia do cômodo e, em caso de fogo, chame os bombeiros (193). Não jogue água em fio ligado.
  4. Deixe o circuito desligado até o eletricista chegar e avise os outros moradores.

Se a tomada ou o plugue estiverem muito quentes ou derretidos, desligue o disjuntor antes de mexer em qualquer plugue. Só depois do disjuntor desligado é seguro tirar o aparelho.

Fio esquentando o que pode ser: as causas mais comuns

Todo condutor esquenta quando passa corrente. A questão é quanto. A corrente depende da potência do aparelho dividida pela tensão: um aparelho de 1.500 W em 127 V puxa cerca de 12 A. Três aparelhos assim no mesmo benjamim chegam a cerca de 35 A. O fio tem um limite de corrente que depende da bitola (a espessura do cobre), do tipo de instalação e do número de fios no mesmo duto.

As causas:

  • Bitola fina para a carga. Fio de 1,5 mm² ligado a um aparelho forte, por exemplo, esquenta ao longo de todo o trecho.
  • Emenda malfeita. Fios torcidos e cobertos só com fita aquecem na emenda, porque o contato é ruim e a resistência sobe.
  • Borne frouxo. O parafuso de tomada, disjuntor ou interruptor que não aperta bem faz o fio esquentar só no ponto da conexão.
  • Benjamim ou extensão sobrecarregados. A soma dos aparelhos passa o que a peça e o fio da extensão aguentam.
  • Fio e tomada gastos. Tomada velha, com o encaixe frouxo, esquenta no plugue.

Um dado ajuda a separar as causas: se a marca de calor ou o cheiro aparecem num ponto só (a tomada, o borne ou a emenda), o problema é de conexão. Se o fio inteiro esquenta ao longo do caminho, o problema é de bitola ou carga.

Tabela: bitola e corrente máxima de referência

Os valores abaixo são de referência para fio de cobre com isolação em PVC, em condição comum de instalação embutida. Mudam com o método de instalação, a temperatura ambiente e o número de circuitos no mesmo eletroduto, e quem dimensiona é o eletricista pela NBR 5410.

Bitola Corrente máxima aproximada Disjuntor usual de proteção Uso comum
1,5 mm² Cerca de 17 A 10 A Iluminação
2,5 mm² Cerca de 24 A 20 A Tomadas de uso geral
4 mm² Cerca de 32 A 25 A Circuitos de maior carga
6 mm² Cerca de 41 A 32 A Chuveiro e outros de maior potência
10 mm² Cerca de 57 A 40 A Cargas altas e alimentação de quadros

Duas leituras importantes. Primeiro, o disjuntor fica abaixo do limite do fio de propósito, para desarmar antes que o fio esquente demais. Segundo, trocar o disjuntor por um maior porque "desarma muito" tira essa proteção e deixa o fio como a próxima peça a falhar.

Checklist de sinais de risco

Marque o que você observa. Qualquer item já justifica desligar o circuito:

  • cheiro de plástico ou de queimado perto da tomada, do quadro ou do fio;
  • mudança de cor na tomada, no plugue ou na capa do fio (amarelada, marrom, enegrecida);
  • capa do fio mole, grudenta, com bolhas ou derretida;
  • plugue que você nota bem quente ao retirá-lo, ou que ficou deformado;
  • faísca, estalo ou zumbido na tomada;
  • luz que pisca ou diminui quando um aparelho forte liga;
  • disjuntor que desarma sempre no mesmo aparelho;
  • marca de fumaça na parede ou no espelho da tomada.

Um fio levemente morno sob carga alta, que esfria rápido e não tem nenhum dos sinais acima, merece avaliação, mas não tem a urgência de um fio com capa mole.

O que dá para corrigir sem mexer na fiação

  • Reduzir a carga: tire aparelhos do benjamim e distribua em tomadas diferentes.
  • Parar de usar extensão ou benjamim que esquentam. Peça que esquenta já está no limite ou com defeito.
  • Não ligar aparelho de potência alta (chuveiro elétrico, forno, ar-condicionado) em extensão.
  • Anotar quando o aquecimento acontece (com qual aparelho, depois de quanto tempo) para passar ao eletricista.

Apertar borne, trocar tomada, refazer emenda ou trocar a bitola é serviço de eletricista, com o circuito desligado.

Fio esquentando e disjuntor desarmando: o que isso mostra

Quando o fio esquenta e o disjuntor desarma, a proteção está funcionando. O disjuntor corta o circuito porque a corrente passou do limite por tempo demais (sobrecarga) ou subiu de repente (curto-circuito). O desarme é um aviso, e a resposta certa é descobrir a causa.

Algumas situações típicas:

  • o disjuntor desarma só quando um aparelho de potência alta liga, junto com outros no mesmo circuito: sinal de sobrecarga;
  • desarma na hora em que se liga um aparelho específico: o aparelho pode estar com defeito;
  • desarma sozinho, sem aparelho forte ligado, e a tomada ou o fio está quente: pode haver emenda ou isolação com problema;
  • desarma ao ligar o disjuntor de novo, imediatamente: curto no circuito, e o disjuntor não deve ser religado repetidamente.

Religar o disjuntor várias vezes para "ver se vai" é um hábito perigoso: cada tentativa passa corrente por um trecho que pode estar danificado. Uma vez, depois de desligar os aparelhos do circuito, é uma tentativa razoável. Se desarmou de novo, deixe desligado e chame o eletricista.

O que o eletricista verifica na visita

O profissional costuma seguir uma ordem: inspeção visual do quadro, das tomadas e das emendas, verificação do aperto dos bornes, conferência da bitola do fio contra a corrente do disjuntor, e medição da carga do circuito com instrumento próprio. Se acha trecho com capa mole, escurecida ou cobre exposto, ele refaz o trecho. Se acha borne frouxo, reaperta e troca a peça que ficou marcada pelo calor.

Quando chamar um técnico

Fio quente com cheiro de queimado ou capa mole pede eletricista no mesmo dia para refazer o trecho. Chame também se:

  • o aquecimento se repete depois de reduzir a carga;
  • o disjuntor desarma com o mesmo aparelho;
  • a tomada, o plugue ou o espelho mostram sinal de derretimento;
  • você não consegue localizar o ponto quente.

Na visita, mostre onde o problema ocorre, diga quais aparelhos estavam ligados e peça que ele informe a bitola do fio, o estado das emendas e se o disjuntor está compatível com o fio. Uma pergunta útil: "esse circuito aguenta o que eu uso nele?" A resposta define se basta consertar a conexão ou se o circuito precisa ser refeito.