Fio esquentando é sinal de que passa mais corrente do que ele aguenta ou de que há uma conexão ruim, e as causas mais comuns são bitola fina, emenda malfeita, borne frouxo e sobrecarga de benjamim ou extensão. Se o fio solta cheiro de queimado, muda de cor ou fica com a capa mole, desligue o disjuntor do circuito na hora.
Reconhecer a causa ajuda a decidir entre esperar o eletricista ou desligar já. Qualquer reparo em fio, tomada ou disjuntor exige o circuito desligado e é serviço de profissional. Em rede de 127 ou 220 V, o calor excessivo num condutor é o caminho mais curto para um incêndio.
O que fazer agora, antes de investigar a causa
- Desligue os aparelhos do circuito, se der para fazer isso sem encostar no fio ou na tomada que estão quentes.
- Desarme o disjuntor do circuito. Se não souber qual é, desligue o geral.
- Se há cheiro de queimado, fumaça ou faísca, saia do cômodo e, em caso de fogo, chame os bombeiros (193). Não jogue água em fio ligado.
- Deixe o circuito desligado até o eletricista chegar e avise os outros moradores.
Se a tomada ou o plugue estiverem muito quentes ou derretidos, desligue o disjuntor antes de mexer em qualquer plugue. Só depois do disjuntor desligado é seguro tirar o aparelho.
Fio esquentando o que pode ser: as causas mais comuns
Todo condutor esquenta quando passa corrente. A questão é quanto. A corrente depende da potência do aparelho dividida pela tensão: um aparelho de 1.500 W em 127 V puxa cerca de 12 A. Três aparelhos assim no mesmo benjamim chegam a cerca de 35 A. O fio tem um limite de corrente que depende da bitola (a espessura do cobre), do tipo de instalação e do número de fios no mesmo duto.
As causas:
- Bitola fina para a carga. Fio de 1,5 mm² ligado a um aparelho forte, por exemplo, esquenta ao longo de todo o trecho.
- Emenda malfeita. Fios torcidos e cobertos só com fita aquecem na emenda, porque o contato é ruim e a resistência sobe.
- Borne frouxo. O parafuso de tomada, disjuntor ou interruptor que não aperta bem faz o fio esquentar só no ponto da conexão.
- Benjamim ou extensão sobrecarregados. A soma dos aparelhos passa o que a peça e o fio da extensão aguentam.
- Fio e tomada gastos. Tomada velha, com o encaixe frouxo, esquenta no plugue.
Um dado ajuda a separar as causas: se a marca de calor ou o cheiro aparecem num ponto só (a tomada, o borne ou a emenda), o problema é de conexão. Se o fio inteiro esquenta ao longo do caminho, o problema é de bitola ou carga.
Tabela: bitola e corrente máxima de referência
Os valores abaixo são de referência para fio de cobre com isolação em PVC, em condição comum de instalação embutida. Mudam com o método de instalação, a temperatura ambiente e o número de circuitos no mesmo eletroduto, e quem dimensiona é o eletricista pela NBR 5410.
| Bitola | Corrente máxima aproximada | Disjuntor usual de proteção | Uso comum |
|---|---|---|---|
| 1,5 mm² | Cerca de 17 A | 10 A | Iluminação |
| 2,5 mm² | Cerca de 24 A | 20 A | Tomadas de uso geral |
| 4 mm² | Cerca de 32 A | 25 A | Circuitos de maior carga |
| 6 mm² | Cerca de 41 A | 32 A | Chuveiro e outros de maior potência |
| 10 mm² | Cerca de 57 A | 40 A | Cargas altas e alimentação de quadros |
Duas leituras importantes. Primeiro, o disjuntor fica abaixo do limite do fio de propósito, para desarmar antes que o fio esquente demais. Segundo, trocar o disjuntor por um maior porque "desarma muito" tira essa proteção e deixa o fio como a próxima peça a falhar.
Checklist de sinais de risco
Marque o que você observa. Qualquer item já justifica desligar o circuito:
- cheiro de plástico ou de queimado perto da tomada, do quadro ou do fio;
- mudança de cor na tomada, no plugue ou na capa do fio (amarelada, marrom, enegrecida);
- capa do fio mole, grudenta, com bolhas ou derretida;
- plugue que você nota bem quente ao retirá-lo, ou que ficou deformado;
- faísca, estalo ou zumbido na tomada;
- luz que pisca ou diminui quando um aparelho forte liga;
- disjuntor que desarma sempre no mesmo aparelho;
- marca de fumaça na parede ou no espelho da tomada.
Um fio levemente morno sob carga alta, que esfria rápido e não tem nenhum dos sinais acima, merece avaliação, mas não tem a urgência de um fio com capa mole.
O que dá para corrigir sem mexer na fiação
- Reduzir a carga: tire aparelhos do benjamim e distribua em tomadas diferentes.
- Parar de usar extensão ou benjamim que esquentam. Peça que esquenta já está no limite ou com defeito.
- Não ligar aparelho de potência alta (chuveiro elétrico, forno, ar-condicionado) em extensão.
- Anotar quando o aquecimento acontece (com qual aparelho, depois de quanto tempo) para passar ao eletricista.
Apertar borne, trocar tomada, refazer emenda ou trocar a bitola é serviço de eletricista, com o circuito desligado.
Fio esquentando e disjuntor desarmando: o que isso mostra
Quando o fio esquenta e o disjuntor desarma, a proteção está funcionando. O disjuntor corta o circuito porque a corrente passou do limite por tempo demais (sobrecarga) ou subiu de repente (curto-circuito). O desarme é um aviso, e a resposta certa é descobrir a causa.
Algumas situações típicas:
- o disjuntor desarma só quando um aparelho de potência alta liga, junto com outros no mesmo circuito: sinal de sobrecarga;
- desarma na hora em que se liga um aparelho específico: o aparelho pode estar com defeito;
- desarma sozinho, sem aparelho forte ligado, e a tomada ou o fio está quente: pode haver emenda ou isolação com problema;
- desarma ao ligar o disjuntor de novo, imediatamente: curto no circuito, e o disjuntor não deve ser religado repetidamente.
Religar o disjuntor várias vezes para "ver se vai" é um hábito perigoso: cada tentativa passa corrente por um trecho que pode estar danificado. Uma vez, depois de desligar os aparelhos do circuito, é uma tentativa razoável. Se desarmou de novo, deixe desligado e chame o eletricista.
O que o eletricista verifica na visita
O profissional costuma seguir uma ordem: inspeção visual do quadro, das tomadas e das emendas, verificação do aperto dos bornes, conferência da bitola do fio contra a corrente do disjuntor, e medição da carga do circuito com instrumento próprio. Se acha trecho com capa mole, escurecida ou cobre exposto, ele refaz o trecho. Se acha borne frouxo, reaperta e troca a peça que ficou marcada pelo calor.
Quando chamar um técnico
Fio quente com cheiro de queimado ou capa mole pede eletricista no mesmo dia para refazer o trecho. Chame também se:
- o aquecimento se repete depois de reduzir a carga;
- o disjuntor desarma com o mesmo aparelho;
- a tomada, o plugue ou o espelho mostram sinal de derretimento;
- você não consegue localizar o ponto quente.
Na visita, mostre onde o problema ocorre, diga quais aparelhos estavam ligados e peça que ele informe a bitola do fio, o estado das emendas e se o disjuntor está compatível com o fio. Uma pergunta útil: "esse circuito aguenta o que eu uso nele?" A resposta define se basta consertar a conexão ou se o circuito precisa ser refeito.