Bateria descarregada tem três saídas para ligar o carro: chupeta com outro veículo, booster portátil ou, só em carro manual e em último caso, o tranco. A chupeta e o booster são as opções mais seguras para o carro, desde que você ligue os cabos na ordem certa. O tranco existe, mas cobra um preço do catalisador e não funciona em câmbio automático.
Antes de ligar qualquer coisa: confirme que é bateria
Bateria descarregada dá sinais bem reconhecíveis:
- ao girar a chave ou apertar o botão, o painel acende fraco e o motor faz "tec-tec-tec" ou não faz nada;
- os faróis ficam amarelados e apagam ao tentar a partida;
- o alarme e a trava elétrica reagem devagar ou não reagem.
Se o painel acende forte e o motor de arranque gira devagar e arrasta, ainda é bateria fraca. Se o painel está normal e nada acontece ao dar a partida, a causa pode ser outra (motor de arranque, relé, imobilizador), e a chupeta não resolve.
Olhe também a bateria. Caixa estufada, rachada, com líquido escorrendo ou com cheiro forte de enxofre não recebe chupeta: o risco de vazamento de ácido e até de explosão é real. Nesse caso, o caminho é o socorro.
Chupeta com cabos: o diagrama de ligação na ordem certa
A chupeta usa a bateria de outro carro para dar a partida no seu. Você precisa de cabos em bom estado (pinças sem folga, isolamento inteiro, bitola adequada) e de um segundo veículo com bateria de 12 V.
Posicione os carros lado a lado ou de frente, sem encostar a lataria um no outro. Desligue os dois motores, tire a chave do seu e desligue faróis, ar-condicionado e som. Coloque freio de mão nos dois e câmbio em ponto morto ou P.
A ordem de ligação, resumida:
| Ordem | Cabo | Onde prender |
|---|---|---|
| 1 | Vermelho | Polo positivo (+) da bateria descarregada |
| 2 | Vermelho, outra ponta | Polo positivo (+) da bateria boa |
| 3 | Preto | Polo negativo (-) da bateria boa |
| 4 | Preto, outra ponta | Metal sem tinta do motor do carro com bateria fraca, longe da bateria (nunca no negativo dela) |
| Para retirar | Os mesmos cabos | Ordem inversa: 4, 3, 2 e 1, com o carro já funcionando |
Cada passo em detalhe:
- Vermelho na bateria descarregada: prenda uma ponta do cabo vermelho no polo positivo (+) da bateria fraca.
- Vermelho na bateria que doa: prenda a outra ponta do vermelho no polo positivo (+) da bateria boa.
- Preto na bateria que doa: prenda uma ponta do cabo preto no polo negativo (-) da bateria boa.
- Preto no metal do carro com bateria fraca: prenda a outra ponta do preto numa parte de metal sem tinta e firme (um suporte do motor ou um parafuso do bloco), longe da bateria e das mangueiras.
O último ponto é o que muita gente erra. Fechar o circuito direto no polo negativo da bateria fraca pode gerar faísca perto dela, onde pode haver gás inflamável. Por isso o fecho vai no metal, afastado.
Com tudo conectado e as pinças sem se tocarem:
- ligue o carro que doa e deixe em marcha lenta por alguns minutos;
- tente ligar o carro com a bateria fraca; se não pegar de primeira, espere um pouco e tente de novo, sem insistir em tentativas longas;
- com o motor funcionando, retire os cabos na ordem inversa: primeiro o preto do metal, depois o preto da bateria que doa, depois o vermelho da que doa, por último o vermelho da bateria que recebeu.
Nunca deixe as pinças vermelha e preta se tocarem enquanto uma ponta está ligada, e não se incline sobre a bateria ao conectar. Se as pinças estiverem soltas, o cabo está ruim: troque.
Booster portátil: a opção sem segundo carro
O booster é uma bateria compacta com cabos próprios. Tem a vantagem de dispensar outro veículo, e muitos modelos têm proteção contra inversão de polaridade. Mesmo assim, o procedimento básico é parecido: positivo no polo positivo, negativo no metal do carro, longe da bateria, e só então liga o booster, se o aparelho tiver essa chave.
Cada aparelho tem seu manual, e a capacidade varia: um booster pequeno pode não dar conta de motor grande, de diesel ou de bateria muito descarregada. Carregue o booster com regularidade e guarde fora do porta-malas muito quente. Se ele apenas "tosse" e o carro não pega, não insista: o consumo de corrente é alto e pode danificar o aparelho.
Por que carros automáticos não aceitam tranco
Tranco é empurrar o carro e soltar a embreagem engatado, para o movimento das rodas girar o motor. Em câmbio manual isso é possível, porque as rodas se ligam ao motor pela embreagem.
Em câmbio automático clássico, o conversor de torque não transmite o movimento das rodas para o motor com o carro desligado: a bomba de óleo do câmbio, que cria a pressão para engatar as marchas, só funciona com o motor ligado. Empurrar não adianta e ainda pode forçar o câmbio. O mesmo vale para a maioria dos câmbios automatizados e CVT. O manual de cada modelo diz o que é permitido.
O tranco em carro manual: quando e por que evitar
No carro manual o tranco funciona, mas tem custo:
- o motor gira com injeção e ignição funcionando, e parte do combustível pode passar sem queimar para o escapamento, o que agride o catalisador;
- exige alguém para empurrar e uma via plana ou em descida leve, sem tráfego;
- em carro moderno, com muita eletrônica e partida por botão, o manual frequentemente desaconselha.
Se for a única saída, faça em rua tranquila: ligue a ignição, pise na embreagem, engate a segunda marcha, solte a embreagem com o carro já em movimento e, quando o motor pegar, volte a pisar na embreagem. Em rodovia, nunca empurre o carro.
Quando chamar socorro
Nem sempre dá para resolver sozinho. Chame o socorro quando:
- você está sem cabos, sem booster e sem outro carro por perto;
- a bateria está estufada, vazando ou muito corroída;
- o carro é híbrido, elétrico ou tem bateria em local especial e você não encontrou o ponto de ligação no manual;
- o carro liga na chupeta, mas apaga de novo logo depois, sinal de bateria que não segura carga ou de alternador com defeito;
- você está em local inseguro, como acostamento ou garagem apertada.
O socorro com partida no local resolve sem rebocar. Pergunte ao atendente se o serviço inclui teste da bateria e do alternador, e peça que o técnico mostre a leitura. Se a bateria estiver condenada, ele pode indicar a troca no local ou levar o carro à oficina.
Depois que o carro ligou
Não desligue o motor imediatamente: rode por um trajeto razoável ou deixe o alternador recarregar. Evite ligar muita carga elétrica de uma vez nos primeiros minutos. Se a bateria descarregou sem motivo claro (luz esquecida, porta aberta), vale ver se há consumo escondido, como alarme mal instalado ou acessório ligado direto na bateria.
Se foi a segunda vez em pouco tempo, a bateria ou o alternador provavelmente precisam de teste. A bateria comum costuma durar alguns anos, e calor intenso, trajetos curtos e uso muito parado encurtam esse tempo. Antes de comprar outra, a pergunta certa para a oficina é: o alternador está carregando direito?